CR Alto Purus realiza visita às aldeias Iquirema e Goiaba, no município de Boca do Acre/AM, para levantar informações sobre a presença do lixão próximo às comunidades.

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Reunião na Aldeia Goiaba. Foto: Ivanise Rodrigues, em 18.07.13

Ivanise Rodrigues dos Santos Indigenista Especializada

          A presença de indígenas no lixão de Boca do Acre (AM) foi noticiada no Jornal Opinião, publicado em 31 de maio a 05 de junho de 2013. Na matéria havia a informação – errônea – de que os índios em questão eram da etnia Apurinã, quando na verdade eram Jamamadi. Foi para apurar essas e outras questões (como o fato de que, no lixão, catando materiais recicláveis, os indígenas conseguiam receber até 500 reais semanais) que fomos – eu, Ivanise, e a Coordenadora Regional, Maria Evanizia – até o município de Boca do Acre entre os dias 17 e 19 de julho para tratar/conversar com o representantes do poder público local a respeito da localização do lixão e seus impactos sobre as populações indígenas vizinhas.

            Tivemos reuniões com o Secretário de Saúde, a representante do CIMI, do Pólo-Base, do Conselho Tutelar, da OPIAJBAM e com a Funai local. Fomos informadas que antes o lixão ficava dentro da cidade e estava no local atual – próximo a uma mata virgem – há menos de 02 anos. Como bem disse a representante do CIMI, Antonia Sandra, “não foram os índios que foram ao lixão, foi o lixão que foi até os índios”. Também foram realizadas reuniões no IDAM, cujo técnico responsável pelas áreas afetadas nos acompanhou na visita às aldeias, assim como com a representante do Núcleo de Educação Indígena do Estado.

            As aldeias Iquirema e Goiaba ficam localizadas somente a 06 km do local onde todo o lixo produzido na cidade é descartado e queimado, uma área onde a floresta amazônica ainda não tinha sido desmatada. Percebemos que, tão grande quanto o impacto do lixão vizinho às comunidades indígenas, é a forte presença de fazendeiros na região, que impactam diretamente o meio ambiente e a economia local com a prática da pecuária extensiva. Vale ressaltar que o município de Boca do Acre é considerado um dos municípios do estado do Amazonas com maior número de cabeças de gado – fato facilmente constatado quando fazemos o trajeto Rio Branco – Boca do Acre, e quando circulamos na área rural. Como os loteamentos de Iquirema e Goiaba são circundados pelos pecuaristas, não há mais mata para caça e tampouco locais de pesca. Nesse sentido, o lixão próximo às aldeias vem piorar um cenário que já não oferece muitas alternativas a uma população acostumada a pescar, caçar e plantar. No entanto, vimos que estreitar as parcerias com as entidades locais fortalece a construção de projetos que visam promover uma melhoria da segurança alimentar e nutricional dos Jamamadi, que afirmam não ser comum a presença dos indígenas no local, ao contrário do que afirmava o jornal Opinião.

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Lixo sendo queimado no ramal do Monte, acesso às aldeias indígenas. Foto: Ivanise Rodrigues, em 18.07.13.

        Cabe notar que o lixão não tem projeto de aterro sanitário, é queimado ao ar livre e está próximo a um dos poucos locais de pesca dos indígenas, que é o Córrego Cruzeirinho. Além da poluição do lençol freático, os indígenas estão expostos à contaminação, uma vez que não há tratamento específico dado ao lixo hospitalar, o que pode gerar graves problemas de saúde.

          Alguns dias após a nossa visita ao município, a Polícia Federal prendeu o Vice-Prefeito e o Secretário de Obras pela má gestão do lixo de Boca do Acre. Conforme noticiado no site Portal do Purus (link abaixo), o delegado de Polícia Federal, Flávio Avelar, a atuação do Secretário incide em crime ambiental, “em razão de o Secretário ser o encarregado da limpeza pública e, desta forma, estar contribuindo para a degradação ambiental por conta de uma gestão errada do ‘aterro sanitário’ que se tornou um lixão sem controle”. Ainda no mesmo site, o Vice-Prefeito e Secretário de Meio Ambiente, Alysson Pereira de Lima, teve a prisão decretada por negligência em relação à falta de ação para resolver o problema do lixão e seus impactos. É o poder público agindo para garantir o direito das populações a um meio ambiente preservado.         

Para saber mais, acesse:

http://www.pecuaria.com.br/info.php?ver=12811

http://portaldopurus.com.br/index.php/melhores-noticias/10342-policia-federal-prende-secretario-municipal-de-obras-em-flagrante-por-crime-ambiental

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